segunda-feira, agosto 21, 2006

Japão

Em Julho fomos ao Japão passar férias. Tenho de fazer upload de algumas fotografias que reflictam um mix cultural absolutamente vertiginoso. Se NY não dorme, Tokyo deve andar a tomar speeds. O cliché que todos temos afinal não é verdadeiro, estávamos todos enganados em relação às ideias que nos povoam o imaginário ocidental.
As mulheres são lindíssimas, as lojas fabulosas, os transportes funcionam, a comida deliciosa e um sentimento de "queixo caído" agarra-se a nós durante toda a viagem e não larga até estarmos a aterrar em Paris (por exemplo).
O Japão é uma experiência completamente diferente e começa exactamente quando entramos num avião da JAL (Japan Airlines) e prolonga-se até estarmos de regresso em solo europeu.
A quantidade de pessoas, informação, lojas, espaços, comunicação, montras, toldos, barulhos, luzes, passadeiras, poderia parecer opressivo à primeira vista, mas quando estamos descansadamente a atravessar uma passadeira com cerca de 500 pessoas e ninguém nos pisa o pé, sabemos que estamos num país organizado.
Saindo de Tokyo e andando cerca de 1h para junto da praia estamos em Kamakura, cidade-berço dos templos Zen e Budistas. A paisagem é verde até onde a vista alcança e o cheiro da História e das Estórias e crenças japonesas está em todo o lado.

Vou arranjar umas imagens.

terça-feira, agosto 15, 2006

Deus é brasileiro

Confesso que deveria ter colocado imagens das pousadas, mas achei que seria melhor partilhar a fabulosa vista que delas se disfruta e deixar a vossa curiosidade fazer o resto. Concerteza o paraíso é aqui.

Pousada Um Milhão de Estrelas


Fotografia_Eduardo Vale

Pousada da Amendoeira



Fotografia_Eduardo Vale

quarta-feira, abril 05, 2006

:::DESTINOS:::DESTINOS:::DESTINOS:::

A Pousada Um Milhão de Estrelas vai buscar o seu nome à profusão de estrelas que povoam o céu no hemisfério sul.
Situada no estado de Alagoas, Município de Porto de Pedras, Praia de Tatuamunha, Brasil, esta pousada de charme faz parte de uma rota de turismo ecológico que se estende ao longo do península entre os rios Manguaba (a Norte) e a Barra de Camaragibe.
A Pousada tem 15 chalets, um restaurante/sala de apoio, piscina para adultos e outra para crianças e quiosques de apoio para quem quiser fugir do sol escaldante. O dia nasce pelas 6 da manhã e anoitece mais ou menos 12 horas depois, sempre com uma média de 30º graus e água quente.
Andar a cavalo, andar de canoa, passear de bicicleta, descansar ou simplesmente não fazer nada, são as melhores actividades possíveis para quem procura o refúgio do local.
Comecem a sonhar depois de clikar pousadaummilhaodeestrelas.com.br e não se esqueçam de dar um beijo na Zézé por mim. Ah! E esperem até provar as iguarias do restaurante da pousada. E as caipirinhas, caipiroscas e caipifrutas...
Vão dar um passeio pelo rio na jangada do Pato e esperem que o peixe-boi, a Tuca, apareça. 300 kgs de doçura e boa disposição! Um animal em vias de extinção que vale a pena fotografar.
Vale a pena também conhecer o projecto ecológico da Pousada da Amendoeira, bebam um sumo feito pela Adriana e pelo Allan e apreciem a verdadeira natureza livre de prédios, resorts, carros e moto 4. Visitem o site renovado em pdamendoeira.com.br.

E depois voltem aqui e deixem comentários.
Eu se pudesse já lá estava.

quarta-feira, março 15, 2006

:::LIVRO:::LIVRO:::LIVRO:::LIVRO:::

Despojos de Berlim é um livro fenomenal sobre a II Guerra Mundial, da autoria de Michael Pye.
A história desenrola-se no tempo corrente, com flashbacks detalhados aos episódios das vivências das personagens.
Lucia Muller-Rossi é a personagem principal de uma trama que se desenvolve na ténue linha de moralidade entre o que é sobrevivência em tempos de guerra e a ética das relações profissionais, de amizade e da família.
O seu filho, Nicholas é um professor suiço, personagem na qual se inícia a história, quando já idoso perde o seu pai, figura quase inexistente na sua vida (por culpa da mãe).
A sua filha, Helen trava conhecimento com uma das vítimas da avó e passa a ser o catalizador dos pecados da família, querendo ser a redentora das acções da Lucia e do silêncio do pai. A partir desse momento trava uma batalha pela reposição da verdade dos factos, sempre com o objectivo final de permitir a justiça intemporal, ainda que com isso vá conduzir ao desenterrar das memórias bem escondidas dos seus familiares e ao desfecho da história.
Escrito de uma maneira inteligente, com passagens literalmente viciantes, "Despojos de Berlim" é um candidato a virar filme, esperando que com isso não seja sacrificada a narrativa em nome do sucesso de bilheteira.
Um história comovente de um outro lado da 2ª Guerra.

terça-feira, março 07, 2006

:::CINEMA:::CINEMA:::CINEMA:::

Capote é um filme sobre o egoísta processo criativo de Truman, no qual o autor tem poder máximo de ingerência na vida e na obra.
É um filme que nos agarra, pela inteligente desenvoltura que a trama tem, ganhando obviamente com o desempenho fortíssimo de Philip Seymour Hoffman.
E como cereja em cima do bolo, o filme reproduz a essência da criação do livro e do estilo literário (a novela não ficcional), fazendo com que seja em si um processo de acompanhamento e desenvolvimento da história.
Quando a criatividade e a literatura são moralmente mais fortes do que os crimes relatados na história, o escritor assume-se como um cínico semi-deus, fechado na sua obsessão de criador.
Um bom filme.





Capote
Título original: Capote
De: Bennett Miller
Com: Philip Seymour Hoffman, Catherine Keener, Chris Cooper
Género: Dra
Classificacao: M/12
CAN/EUA, 2005, Cores, 98 min.

quarta-feira, março 01, 2006

:::CINEMA:::CINEMA:::CINEMA:::

Transamerica é um filme decente sobre um dos grandes tabus da América profunda do talvez séc. XXI.
A sexualidade.
É uma visão sobre como não se aceita a diferença do outro que nos é próximo mas se permite a perfidia e se cultivam as submissões das taras forçadas de cada um.
Transamerica é em grande parte o desempenho de Felicity Huffman transformada em Bree (que ainda começa Stanley) e termina numa verdadeira mulher, incluindo o instinto maternal, depois de uma tripla viagem (a da estrada, a da vida de Bree e a da descoberta da vida de Toby) cheia de pormenores e detalhes psico-trágicos que fazem rir a audiência.
Retratando com primor os clichés das famílias matriarcais desajustadas e conservadoras (a mãe ditadora estilo Dolly Parton sulista, o pai fraco preocupado com a sua ida performance sexual e a irmã rebelde num pós-estádio alcoólatra), ou os esquemas de sobrevivência dos miúdos espertos e despachados, há sem dúvida uma crítica implícita ao cinismo púdico americano, que para si clama o epíteto de "Land of Freedom. Home of the Brave".

É um filme que, tal como o nome indica, transveste a América e mostra que a liberdade é subjectiva e que o sonho não é propriedade americana como nos quiseram fazer acreditar, mas que no fundo, no fundo, a sorte protege os audazes.


Transamerica
Título original: Transamerica
De: Duncan Tucker
Com: Felicity Huffman, Kevin Zegers, Fionnula Flanagan
Género: ComDra
Classificacao: M/16
EUA, 2005, Cores, 103 min.
http://www.transamerica-movie.com/

terça-feira, fevereiro 28, 2006

::::ESPECTÁCULOS::::ESPECTÁCULOS::::

Dia 29 de Abril, pelas 22h00 na Aula Magna, os dinamarqueses Kings of Convenience de novo entre nós, desta vez numa sala digna de tal.
Bilhetes já à venda.

Bilhetes: 23 EUR (plateia) / 30 EUR (doutorais)

Discografia:
Quiet is the New Loud (2001)
Riot on an Empty Street (2004)

Site (não actualizado) www.kingsofconvenience.com

:::MÚSICA:::MÚSICA:::MÚSICA::MÚSICA::

Quem conhece e tem acompanhado a carreira de Zero 7 saberá que Mozes é uma das vozes chave que dá corpo ao grupo, assim como Horace Andy dá alma e profundidade R&B aos Massive Attack. Sem qualquer comparação possível, os Zero 7 fizeram dois álbuns que passaram mais ou menos por alto no nosso país (Simple Things /2001 e When it Falls /2004) . Ainda muito cedo foram convidados para ir ao Sudoeste 2001 (éramos 20 a cantar as músicas), o que não é necessariamente mau. O segundo disco foi subtil e deles pouco se ouviu mais.
Nestas alturas o trigo separa-se do joio e toma coragem para gravar um disco a solo. A editora (não é a mesma dos Zero 7) Apace, ainda em 2005 dá o sim e eis que chega "So Still" até nós.
Verdade que só em 2006 o disco está disponível na fnac, mas no mundo da globalização a falha é de quem não procura (no-ebay por exemplo).
Num registo R&B com orquestrações em pano de fundo, Mozes aprofunda o trabalho vocal já aflorado nas suas participações nos discos dos Zero 7.
Gosto do disco. Requer entrega na audição. É um disco calmo para quem gosta de ambientes electrónicos easy-listening, vozes negras que embalam, coros que enriquecem e melodias que não se impõem, antes pelo contrário. Fazem parte de um todo.
Pomos play e não nos apercebemos bem da mudança das músicas, não é um disco de fins e princípios, é antes um contínuo musical ao longo de 60 minuos.
Com influências funk e gospel anos 70, trip-hop anos 90 e muito R&B, "So Still" é uma boa surpresa no panorama entediante da música editada nestes últimos tempos. Oiçam "Fuzz" com a participação dos Nightmares on Wax e depois decidam.

Feel Free
Baby Blue
Troubled Mind
So Still
Spining Top
Somehow Now
Getting Better
Take the Sun
Fuzz feat. Nightmares on Wax
Venus Rise
Beautiful Day feat. Henry Binns from Zero 7
Stay Beautiful
If I Fall
Eternity


Autor: MOZES
Título: So Still
Ano: 2005
Editora: Apace Music Lda
País: Reino Unido
Timing: 60m
http://www.apacemusic.co.uk/public/

::MÚSICA::MÚSICA::MÚSICA::MÚSICA::

YANN TIERSEN era um bom rapaz, até que conheceu o guitarrista e o baixista que o acompanham na tournée que está a levar a cabo e que ontem passou pelo Centro Cultural de Belém. E deixou-se levar pelos caminhos escuros do rock.
Para quem como eu foi à procura da banda sonora de "O Fabuloso Destino de Amélie" ou "Adeus Lenine", o sentimento de fraude não podia ter sido maior.
De estilo popular francês ouviu-se apenas em 4/5 músicas. O resto foi um desembrulhar de clichés, acompanhado por uma tentativa de parecer um grupo de rock stars. É preciso dizer que o baixista é uma completa anormalidade na personificação do rockeiro, numa performance absolutamente batida de saltos e esgares dos tempos idos. Adormeci algumas vezes.
Alguém disse ao rapaz que "rockeiro" não combinava com "acordeão", e ele fez uma escolha. É pena. Como banda de rock é uma nulidade, como artista de música popular era convidado para fazer bandas sonoras de filmes mais ou menos independentes que acabam sempre por ter enorme projecção e apoio da crítica. É difícil ver qual o caminho a seguir.
Será interessante referir a diversidade da composição etária do público que ontem recebeu os músicos, apesar da estética imagética esquerdista que transpirava no local e até nos próprios músicos. Por momentos parecia que estava no Avante!, mas em cadeiras muito mais confortáveis.
O concerto em si foi uma experiência de opostos. Fantástico quando Yann se sentava ao piano, agarrava o acordeão, tocava violino e péssimo quando se repetiam as estruturas melódicas pseudo-rock anos 70.
As expectativas eram grandes, uma vez que o concerto tinha sido adiado em 22 de Dezembro, dado a mãe de Yaan estar doente. 2 meses depois...Há quem tenha opiniões diferentes. Podemos discutir isso depois.


Yaan Tiersen
27/02/2006
CCB - Grande Auditório
Aprox. 1h45m
http://www.yanntiersen.com/

:::CINEMA:::CINEMA:::CINEMA:::CINEMA:::

Syriana é um filme denso. Um filme que incomoda por não ser linear e por não ser de rápido entendimento e compreensão.
O reflexo de uma América globalizadora e economicista.
O filme desenrola-se numa paisagem de pequenas estórias que se vão interligando no decorrer da história central.
A acção centra-se na indústria de exploração do petróleo, no Irão de hoje em dia. Uma realeza corrupta e cobarde, demasiado agarrada aos luxos da vida, uma base de populares pobres e sem condições, um conjunto considerável de imigrantes indianos que lutam por um qualquer trabalho, prontos a serem dispensados na primeira fusão.
É um filme humilde, que deixa a quem o vê o papel de fazer julgamentos e tirar ilações. Um filme que ainda assim tem tempo para se focar em pormenores e retratar a inocência de homens e crianças.
Uma mão-cheia de actores fenomenais, que mesmo nos seus papéis secundários conseguem imprimir ao filme um registo de excelência cinematográfica. Syriana é sem dúvida a consagração da carreira de George Clooney. Matt Damon tem também um desempenho exemplar.
É também um filme duro e felizmente inteligente.
Não tenham dúvidas, vejam.


Syriana
Título original: Syriana
De: Stephen Gaghan
Com: Kayvan Novak, George Clooney, Amr Waked, Christopher Plummer
Género: Dra, Thr
Classificacao: M/12
EUA, 2005, Cores, 126 min.
http://syrianamovie.warnerbros.com/

:::CINEMA:::CINEMA:::CINEMA:::CINEMA:::

Livro 1 - Filme 0

Para quem leu o livro, este filme peca por vários motivos. Forma a mais e conteúdo a menos. As minhas expectativas eram extremamente elevadas para a corporização de um livro já de si tão rico em metáforas e descritivos que nos deixa criar o filme todo na nossa cabeça. Logo à partida, a tarefa não era fácil. Claro que temos de ter em conta quem faz e quem produz, quem adapta e quem é o público prioritário desta peça. Não é de certeza quem devorou todas as páginas do livro ou quem gosta do estilo e cultura japonesas e diversifica para autores, designers, arquitectos ou fotógrafos "de gema". Ainda maior falha é ter as personagens a falar inglês. Não há música nos diálogos. Não conseguimos desligar da "sombra" americana que paira no filme.

Não vou falar sobre a estrutura do filme porque aborrece-me fazê-lo. Concordando com outra crítica, transformaram o meu livro numa telenovela. De qualquer maneira, não se poderá negar todo o aparato de produção e fotografia, apesar de ser esse mesmo o calcanhar de Aquiles para um público conhecedor e exigente: soa demasiado a falso.

Memórias de Uma Gueixa
Título original: Memoirs of a Geisha
De: Rob Marshall
Com: Ziyi Zang, Ken Watanabe, Michelle Yeoh
Género: Dra
Classificacao: M/12
EUA, 2005, Cores, 145 min
http://www.sonypictures.com/movies/memoirsofageisha/

:::CINEMA:::CINEMA:::CINEMA:::CINEMA:::

Broken expectations

O filme acabou e a sensação de fraude tomou conta de mim. Eu queria mais, eu queria saber tudo e fiquei sem nada. A narrativa é repetitiva, gira sempre à volta da mesma estrutura e é pobre em termos de essência. Don, o próprio, acaba por ser o mesmo de "Lost In Translation" (filme absolutamente fabuloso), sem acrescentar mais nada. E sem a rede que LIT lhe proporciona. As mulheres, todas actrizes de primeira água, têm um papel tão residual quanto insignificante. A presença de Sharon Stone, Jessica Lange, Julie Delpy, Chlöe Savigny, Frances Conroy não acrescenta nada à já pouco cativante personificação de Bill Murray. Fica Winston e a sua música, na memória a curto-prazo. Pontos ganhos no tipo de realização, independente, planos mais próximos, fotografia fantásticas nos pesadelos de Don. Depois de "Café e Cigarros", esperava ver mais. Mas em "Broken Flowers" não foi assim.

Broken Flowers - Flores Partidas
Título original: Broken Flowers
De: Jim Jarmusch
Com: Bill Murray, Julie Delpy, Heather Simms
Género: ComDra
Classificacao: M/12
EUA/FRA, 2005, Cores, 106 min
http://brokenflowersmovie.com/home.html